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Escoliose congênita

Fotos de cirurgias reais, originais de autoria do Dr. Barsotti.

A chamada escoliose congênita é caracterizada pela presença de uma curvatura lateral na coluna que é causada por um defeito existente desde o momento do nascimento do indivíduo. Esta é uma patologia que ocorre em apenas 1 a cada 10 mil recém-nascidos, aproximadamente, sendo que a maioria dessas crianças apresenta também outros problemas de saúde — que afetam especialmente os rins ou a bexiga.

Embora a escoliose congênita normalmente seja visível no momento do nascimento, anormalidades leves podem não aparecer até que o indivíduo chegue à adolescência e esteja com a curvatura mais avançada. Em geral, a maioria dos pacientes com este tipo de alteração é diagnosticada e começa o acompanhamento ortopédico com cerca de 2 ou 3 anos de idade.

O que é e o que causa a escoliose congênita?

A escoliose congênita pode ter diferentes causas, mas sempre está associada a problemas na formação vertebral durante as fases do desenvolvimento embrionário. Isso significa que as malformações que levam ao desvio da coluna estão presentes antes mesmo de a criança nascer.

O histórico familiar de escoliose congênita é considerado raro, embora existam estudos que descrevem algumas síndromes hereditárias associadas ao defeito na formação e desenvolvimento da coluna. Na literatura médica, existem diversas teorias que justificam este tipo de falha na formação do indivíduo, levando a um defeito na anatomia vertebral.

Em geral, a má formação das cartilagens de crescimento das vértebras, a fusão dos arcos costais durante a gestação e até mesmo distúrbios neuromusculares e paralisias são os principais fatores que podem levar ao desenvolvimento da curvatura na coluna.

Uma vez que os demais órgãos e sistemas do organismo se desenvolvem ao mesmo tempo que os ossos da coluna, pode acontecer de a criança apresentar outros problemas de formação. Os órgãos mais comumente afetados nesses casos são os rins, coração e o sistema auditivo como um todo.

Tipos de escoliose congênita

As malformações congênitas que afetam a coluna podem ser classificadas entre três tipos, de acordo com suas características. São eles:

Falha de formação

É caracterizada quando parte da vértebra não se desenvolve. Esta metade de corpo vertebral se comporta como um “calço” que desequilibra a coluna e leva a um crescimento assimétrico, originando assim um desvio lateral progressivo.

Falha de segmentação

Este é um defeito congênito em que uma vértebra não se separa completamente da outra durante o desenvolvimento, resultando em duas ou mais vértebras fundidas como se fossem uma só. Normalmente, as vértebras afetadas ficam coladas apenas de um lado, fazendo com que o crescimento vertebral não consiga ocorrer neste pedaço que está colado. O lado livre, por sua vez, cresce normalmente, gerando assim a curvatura que caracteriza a escoliose.

Defeito misto

Neste caso, uma combinação entre falhas na formação e na segmentação das vértebras causa a escoliose congênita. As malformações podem ocorrer em qualquer segmento da coluna, levando a um crescimento assimétrico e desenvolvimento dos desvios que caracterizam a escoliose.

Sintomas e diagnóstico

A maioria das curvaturas congênitas é visível desde o momento do nascimento, podendo ser detectada durante o exame pediátrico. Porém, existem muitos casos mais leves em que a escoliose congênita não é descoberta até a adolescência. Essa demora no diagnóstico acontece principalmente porque a escoliose não costuma ser dolorosa, gerando suspeitas apenas quando as roupas não se encaixam adequadamente, por exemplo.

Os pais da criança geralmente são os primeiros responsáveis pelo diagnóstico da escoliose, descobrindo a alteração quando observam o filho em roupa de banho, por exemplo. Alguns dos principais sinais físicos que podem ser observados quando o indivíduo apresenta uma curvatura na coluna são:

  • Ombros irregulares e inclinados;
  • Cintura irregular;
  • Um dos lados do quadril mais alto do que o outro;
  • Inclinação lateral da cabeça;
  • Aparente encurtamento dos membros inferiores;
  • Em casos raros, a criança pode apresentar fraqueza, dormência ou falta de coordenação, manifestações que estão associadas a problemas na medula espinhal.

O diagnóstico oficial da escoliose congênita deve ser feito por um ortopedista especializado em coluna, que se responsabiliza por fazer um exame clínico cuidadoso e solicita exames de imagem para confirmar a existência de um desvio.

A realização desses exames é fundamental mesmo para casos em que a curvatura é visível, pois possibilita analisar as condições da coluna e como o problema está afetando o organismo.

Escoliose congênita: como é o tratamento?

Existem diversas opções de tratamento para a escoliose congênita, e a metodologia mais adequada será identificada pelo médico especialista após avaliar criteriosamente a gravidade da deformidade de coluna e as particularidades do paciente. O ortopedista de coluna avaliará as chances de que o desvio piore, sugerindo as melhores abordagens para conter o desenvolvimento da alteração e minimizar suas consequências.

Quando a criança apresenta uma curvatura considerada pequena, inicialmente a alteração deve ser apenas monitorada para garantir que o quadro não se agrave com o passar do tempo. Embora isso não seja uma regra, as curvas de escoliose podem crescer à medida que a coluna vertebral do indivíduo se desenvolve, fazendo com que a deformidade se torne mais perceptível e cause transtornos.

O uso de um colete ortopédico pode ser indicado para tentar fazer com que a coluna se mantenha no lugar, embora esta metodologia nem sempre seja eficiente nos casos de escoliose congênita. O tratamento conservador pode, ainda, incluir fisioterapia, uso de gesso e outras terapias individualizadas. O intuito é sempre prevenir a piora do quadro, pelo menos até que o paciente atinja maturidade esquelética para se submeter à cirurgia.

A intervenção cirúrgica para escoliose congênita é geralmente indicada para pacientes que apresentam curvas severas e que pioraram significativamente ao longo dos anos, estão desenvolvendo um problema neurológico por causa do desvio espinhal, ou para aqueles em que a deformidade está prejudicando seu bem-estar e qualidade de vida.

Assim como acontece no tratamento conservador, há diferentes metodologias cirúrgicas que podem ser aplicadas. A escolha pela opção mais adequada para o paciente, sempre priorizando o que seu corpo necessita e os benefícios que podem ser alcançados a partir da intervenção. O procedimento é sempre individualizado e visa atender às características do paciente.

Para saber mais sobre escoliose congênita e entender sobre as metodologias de tratamento para esta alteração, entre em contato e agende uma consulta com o ortopedista especialista em coluna Dr. Carlos Barsotti.

Fontes:
Canal Escoliose, Coluna e Saúde – Dr. Carlos Barsotti;
Hip Spine Center
Sociedade Brasileira de Coluna;
Scoliosis Research Society.